Lion Mining assina contrato com Porto Piauí para embarcar minério de ferro neste primeiro semestre para a China e outros países. Produção cresceu 4.000% em dois anos e reservas chegam a 1 bilhão de toneladas.
A produção de minério de ferro no Piauí cresceu mais de 4.000% entre 2023 e 2024, posicionando o estado como o 6º maior exportador do mineral no Brasil, mas o escoamento ainda depende do Porto do Pecém, no Ceará. A transição para o Porto Piauí, na foz do Rio Igaraçu, um braço do Rio Parnaíba, no município de Luís Correia, está prevista para o primeiro semestre de 2026 pelo sistema de transhipment, em que embarcações menores transportarão o minério até navios de grande porte em alto-mar. O terminal portuário está localizado a 180 km de Piripiri, que concentra as principais reservas minerais piauienses, o que reduz o trecho terrestre do escoamento. A base dessa expansão é a operação da Lion Mining, que produz 1,5 milhão de toneladas por ano em 3 minas e acumula mais de R$ 150 milhões em investimentos no estado desde 2023.
O volume exportado gerou receita superior a US$ 35 milhões e arrecadação de R$ 8 milhões em Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) em 2024, dos quais R$ 4,6 milhões foram distribuídos diretamente aos municípios mineradores. Em 2025, a arrecadação parcial já ultrapassa R$ 2,4 milhões, com R$ 1,3 milhão repassado às cidades. Segundo Bruno Casanova Cerullo, superintendente de Mineração e Energias Renováveis (SUMER) da Secretaria de Estado do Planejamento do Piauí (Seplan), o avanço tem garantido geração de empregos, aumento da renda e novas oportunidades para a população.
Fundada em 2022, a Lion Mining é uma empresa piauiense que extrai e processa minério de ferro com laboratório interno e processo de separação magnética, produzindo sob demanda conforme especificação granulométrica do comprador. A linha de produtos inclui sinter feed (nas frações de 0 a 3 mm, 0 a 6 mm e 3 a 6,3 mm), hematitinha (6,3 a 19 mm) e lump ore (6,3 a 32 mm e 19 a 32 mm).
O escoamento atual é feito por rodovia, em carretas com capacidade de 50 toneladas cada, até o Porto do Pecém, no Ceará. A rota pelo Porto Piauí reduz o percurso terrestre para menos de 150 km e internaliza toda a operação logística no estado. A Companhia Porto Piauí projeta exportar 1 milhão de toneladas de ferro pelo terminal piauiense ao longo de 2026, com expectativa de dobrar o volume para 2 milhões de toneladas em 2027.
Teor de ferro valorizado pela indústria siderúrgica
O minério extraído em Piripiri apresenta teor de ferro de até 65%, padrão valorizado pela indústria siderúrgica. A operação é conduzida a seco, sem barragens de rejeitos, em regime contínuo de 24 horas. Ao todo, 28 navios já foram embarcados, com destino principal à China e rotas secundárias para Estados Unidos, México e Noruega. A empresa gera 300 empregos diretos e mil postos entre diretos e indiretos no município e região.
O governador Rafael Fonteles visitou a operação nesta quinta-feira (2) e anunciou a próxima etapa: implantação de unidade de beneficiamento do minério em Piripiri, que elevaria o valor agregado antes do embarque. “Acreditamos que todo esse minério de ferro será exportado pelo nosso Porto Piauí. Parte dele terá agregação de valor no próprio estado, possibilitando um processo de industrialização dentro do Piauí”, afirmou. O governador reforçou ainda o compromisso com a preservação ambiental: “O Piauí é o estado fora da Amazônia com a maior vegetação preservada, e queremos manter essa referência mesmo com o avanço da mineração, do agronegócio e da geração de energia.”
Reservas e minerais estratégicos
A Seplan estima reservas superiores a 1 bilhão de toneladas de minério de ferro no estado. Levantamento do Serviço Geológico Brasileiro (SGB) identificou mais de 30 ocorrências preliminares de minerais estratégicos na Bacia do Parnaíba, entre eles terras raras, grafita, cobre, manganês e zinco — insumos críticos para a cadeia global de transição energética.
O segundo grande projeto em estruturação é o Piauí Níquel Metais, no município de Capitão Gervásio Oliveira, com início de operações previsto para 2026. A produção estimada é de 27 mil toneladas de níquel e 1.000 toneladas de cobalto por ano, com geração projetada de 3.500 empregos diretos e indiretos. Níquel e cobalto são insumos essenciais para a fabricação de baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. Segundo o secretário de Planejamento, Washington Bonfim, a iniciativa representa uma solução para cadeias de suprimentos sustentáveis com potencial de transformar a realidade da região.
O Piauí Níquel Metais, em Capitão Gervásio Oliveira, tinha início de operações previsto para 2026, com produção estimada de 27 mil toneladas de níquel e 1.000 toneladas de cobalto por ano. O governo estadual não confirmou o cumprimento do prazo. Se a operação for viabilizada no calendário original, o Piauí passará a figurar simultaneamente como exportador de ferro, níquel e cobalto — três minerais com demanda crescente na cadeia de fabricação de baterias e aço para mercados globais.

Com informações do Governo do Piau







