Grupo excomungado pelo Vaticano tem capelas em Teresina e Parnaíba; entenda o caso

Após excomunhão decretada pelo Vaticano, Fraternidade Sacerdotal São Pio X volta ao centro do debate; grupo tem capelas no Piauí e rejeita reformas da Igreja Católica.

promovidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, que reformou diversos aspectos da Igreja Católica.

 

Entre as principais mudanças rejeitadas pela fraternidade estão a celebração da missa nas línguas locais, em vez do latim, o incentivo ao diálogo com outras religiões e denominações cristãs e o reconhecimento da liberdade religiosa.

 

Enquanto a maioria das paróquias católicas passou a celebrar missas voltadas para os fiéis, com o sacerdote de frente para a assembleia e utilizando o idioma local, a Fraternidade preservou a chamada missa tridentina, celebrada em latim e, na maior parte do tempo, com o padre voltado para o altar.

 

Os integrantes do grupo também são conhecidos como lefebvristas, em referência ao fundador Marcel Lefebvre.

 

A relação entre a Fraternidade e o Vaticano é marcada por décadas de tensão. Em 1988, Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do papa João Paulo II e acabou excomungado. Anos depois, o papa Bento XVI retirou a excomunhão dos bispos ainda vivos na tentativa de retomar o diálogo, mas a situação canônica do grupo nunca foi totalmente regularizada.

 

Agora, a crise voltou a se aprofundar após uma nova ordenação episcopal realizada sem mandato pontifício. Antes da cerimônia, o papa Leão XIV chegou a pedir que a decisão fosse revista, mas o grupo manteve o plano alegando “circunstâncias excepcionais”.

 

Presença no Piauí

Embora esteja em situação irregular perante a Igreja Católica, a Fraternidade mantém atividades em diferentes estados brasileiros. De acordo com informações divulgadas pela própria organização, há capelas em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Ceará e Piauí.

No estado, o grupo informa possuir uma capela em Parnaíba, dedicada a Santo Agostinho, e outra em Teresina, sob o título de Nossa Senhora de Fátima. Segundo a fraternidade, as missas nas duas cidades acontecem, em geral, a cada dois meses.

O grupo também mantém presença em outros países e reúne cerca de 733 padres em todo o mundo.

Segundo o decreto divulgado pelo Vaticano, a Igreja afirma que permanece aberta ao retorno dos integrantes da Fraternidade à plena comunhão. O documento declara que a instituição “acolherá com sincero afeto e cuidado ativo todos aqueles que desejam retornar à plena comunhão”, desde que haja reconhecimento da autoridade do papa e das normas da Igreja Católica.

Com edição de Ithyara Borges/ODIA

 

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