Em entrevista ao Jornal do Piauí nesta terça-feira (4), o delegado Humberto Mácola, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), alertou para a ação de criminosos que estão utilizando tecnologias de inteligência artificial para criar imagens e vídeos falsos e aplicar golpes financeiros no estado. Segundo a autoridade policial, a proximidade do período eleitoral também aumentou o número desse tipo de ocorrência.
“Nós temos algumas pessoas já que estão encaminhando para a delegacia essas imagens que estão sendo feitas através do deep fake, no caso a transmutação do rosto de uma pessoa no corpo de outro ou a criação de um corpo a partir da inteligência artificial. No Brasil isso tem aumentado, principalmente nesse período da eleição e também com a evolução tecnológica”, destacou.
Mácola ressaltou que apesar das legislações nacionais e mundiais obrigarem as empresas detentoras de inteligências artificiais a implementar blindagens e filtros que recusam pedidos de manipulação indevida, afirmou que ainda existem ferramentas no mercado que operam sem restrições. Por isso, o delegado reforçou a necessidade dos usuários adotarem um olhar mais crítico diante do que consomem na internet.
“É importante que o usuário da internet, desconfie de tudo o que ele está observando. Não é porque alguém está ali, alguma personalidade pública, alguma pessoa está falando com você, dizendo quem que é aquela pessoa, que você vai acreditar naquilo. É importante observar os sinais que a inteligência artificial ainda não consegue reproduzir na questão da realidade física, como sombreamento de olhos e fundo da imagem, incoerência entre a fala e o lábio”, disse.
Clonagem de voz e o “golpe da mudez”
No campo criminal, a preocupação vai além das imagens estáticas ou vídeos manipulados. Mácola destacou que golpistas já utilizam a clonagem de voz por inteligência artificial para se passar por gerentes de banco ou familiares em ligações telefônicas. Entre as estratégias recentes está o chamado “golpe da mudez”, em que o criminoso liga para a vítima e mantém o silêncio do outro lado apenas para captar o timbre vocal.
“Geralmente você recebe uma ligação telefônica na qual ninguém do outro lado fala nada e está captando a sua voz para tentar fazer uma semelhança de timbre de voz para aplicar outros golpes. Então a nossa recomendação é de que, primeiro, nunca atenda ligações telefônicas de números que não estão salvos na sua lista de contatos. Caso atenda, não dizer nada e esperar que a outra pessoa fale primeiro”, sugeriu.
Além disso, o delegado orientou que a população se proteja de fraudes financeiras envolvendo pedidos falsos por dinheiro por supostos parentes criando rotinas de segurança, utilize palavras-chave e exija sempre que as transferências bancárias sejam direcionadas diretamente para contas oficiais ou para o próprio familiar, evitando repasses a terceiros indicados durante a ligação.
Eleições
Com a proximidade do período eleitoral e o início oficial das campanhas em agosto, a Polícia Civil afirma estar preparada e já recebendo demandas relacionadas a crimes cibernéticos e adulterações visuais. Mácola ressalta que tanto quem produz quanto quem propaga conteúdos falsos pode responder legalmente.
“Se você recebeu alguma situação, algum produto, uma imagem que foi produzida que você percebe que é falsa, ali, você compartilha, você pode também vir a ser responsabilizado. Então todos nós precisamos garantir uma eleição equilibrada, verdadeira e lisa, para que todos nós possamos estar mais seguros nesse período”, concluiu.









