Governo prorroga prazo para pedido de ressarcimento do INSS

Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vítimas de descontos indevidos terão até o dia 14 de fevereiro de 2026 para solicitar o ressarcimento dos valores. O prazo, que inicialmente terminaria em 14 de novembro, foi prorrogado pelo governo federal na segunda-feira (10).

A solicitação de ressarcimento pode ser feita por meio do aplicativo Meu INSS, pela Central 135 ou presencialmente em agências dos Correios. Segundo o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, o prazo vale apenas para dar entrada no processo. Após iniciada, a ação só será concluída quando o reembolso é resolvido.

“Depois que a pessoa inicia o processo, o prazo só termina quando resolve a situação. Porque às vezes tem associação que tem uma posição, que mostra um documento, o associado, quer dizer, o aposentado ou pensionista não concorda e isso vai ficando para depois e ninguém vai ser penalizado. Ninguém vai ficar no prejuízo”, disse o ministro.

Até o momento, mais de 3,5 milhões de segurados já receberam o ressarcimento de descontos indevidos, totalizando R$ 2,44 bilhões. Somente em São Paulo, mais de R$ 400 milhões foram pagos a 555 mil beneficiários.

Podem aderir ao acordo:

  • Beneficiários que contestaram descontos indevidos e não receberam resposta da entidade em até 15 dias úteis;
  • Quem recebeu resposta irregular da entidade, como assinaturas falsificadas ou gravações de áudio no lugar de comprovantes válidos;
  • Quem sofreu descontos entre março de 2020 e março de 2025;
  • Beneficiários com processo na Justiça, desde que ainda não tenham recebido os valores (nesse caso, é preciso desistir da ação para aderir ao acordo).

Como funciona o processo de adesão:

  • Conteste o desconto indevido pelo aplicativo Meu INSS, Central 135 ou agências dos Correios;
  • Aguarde a resposta da entidade responsável pelo desconto – prazo de até 15 dias úteis;
  • Sem resposta? – o sistema irá liberar a adesão ao acordo de ressarcimento;
  • A adesão pode ser feita pelo aplicativo Meu INSS ou presencialmente nas agências dos Correios.

Fraude financeira

Em abril, a Polícia Federal expôs um esquema de descontos indevidos por parte de entidades nos pagamentos de aposentados e pensionistas do INSS. As fraudes aconteceram entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado de R$ 6,3 bilhões.

A revelação resultou no afastamento de cinco servidores públicos suspeitos de participarem no esquema, bem como na demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Outro que deixou o cargo foi o então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), pressionado pela oposição.

Em meio ao cenário, parlamentares abriram uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso e responsabilizar aqueles que participaram do esquema. Segundo as investigações, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, é uma das peças-chave do crime. Ele foi preso em 12 de setembro, apontando como facilitar os descontos indevidos.

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