Piauí tem o 4º melhor desempenho em Matemática do Brasil em programa internacional de avaliação

Estado registrou 357,9 pontos na avaliação do Pisa e ficou 7,7 pontos acima da nota estimada para estudantes com o mesmo perfil socioeconômico.

O Piauí teve o quarto melhor desempenho em matemática entre os estados brasileiros considerado o resultado em relação à nota esperada para o nível socioeconômico da população, segundo levantamento do Pisa 2025. O Pisa é Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Programme for International Student Assessment), um estudo comparativo realizado a cada três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No Brasil, o desempenho individual de cada estado foi calculado por pesquisadores do Iede, o Instituto de Pesquisa e Gestão Educacional. O Piauí alcançou 357,9 pontos. A pontuação estimada para o perfil socioeconômico do estado era de 350,2, uma diferença positiva de 7,7 pontos percentuais.

No levantamento, o Piauí aparece atrás apenas do Paraná, que teve desempenho 15 pontos acima do esperado; do Ceará, com diferença positiva de 10,5 pontos; e de Minas Gerais, com 9,2 pontos. São Paulo, apesar de ter obtido pontuação absoluta bem superior à piauiense, registrou diferença de apenas 2,3 pontos em relação ao resultado esperado para seu nível socioeconômico.

O Pisa não considera a nota bruta dos alunos avaliados. O levantamento compara a pontuação obtida pelos estudantes com aquela esperada considerando as condições socioeconômicas da população de cada unidade federativa. Na pontuação absoluta, o Piauí aparece na 15ª posição do ranking, com seus 357,9 pontos.

O Estado do Paraná liderou a pontuação em matemática, segundo o Pisa, com 423,1 pontos, seguido por São Paulo, com 403,8, Minas Gerais, com 395,7, e Santa Catarina, com 395 pontos. Na outra ponta do ranking, com o pior desempenho, está Alagoas, que teve a menor média, com 332,9 pontos. A diferença entre a anota obtida pelo Paraná chega a 90,2 pontos.

considera que a mudança não foi estatisticamente significativa.

Um dos principais indicadores está no nível mínimo de proficiência. Apenas 28% dos estudantes brasileiros de 15 anos alcançaram o Nível 2 ou superior em matemática. A média da OCDE chegou a 65%. Nesse nível, o estudante já consegue, por exemplo, interpretar uma situação simples e reconhecer como ela pode ser representada matematicamente, mesmo sem receber instruções diretas.

O desempenho nos níveis mais altos também chama atenção. Quase nenhum estudante brasileiro atingiu os Níveis 4 ou 6 em matemática, considerados de alto desempenho. Na média da ICDE, apenas 8% dos estudantes chegaram a esses níveis. Neles, os alunos são capazes de modelar situações complexas matematicamente e escolher, comparar e avaliar diferentes estratégias para solucionar problemas.

O resultado brasileiro também fica distante dos países com maior desempenho. Na China, por exemplo, 54% dos estudantes alcançaram os Níveis 5 ou 6. Em Singapura, foram 37%.

Brasil mantém estabilidade, mas abaixo da OCDE

O Pisa avalia estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Em 2025, 30.140 estudantes brasileiros de 1.053 escolas participaram da avaliação, representando aproximadamente 2,18 milhões de jovens de 15 anos no país. A edição reuniu mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias.

Os resultados mostram que o desempenho médio brasileiro permaneceu praticamente estável em relação a 2022 nas três áreas. Em matemática, o país passou de 379 para 377 pontos; em leitura, de 410 para 408; e em ciências, avançou de 403 para 409 pontos. A OCDE considera que essas variações, no entanto, não são estatisticamente significativas.

Em leitura, 49% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o Nível 2 de proficiência, contra 69% na média da OCDE. Apenas 1% chegou ao Nível 5 ou superior, enquanto a média entre os países da organização foi de 6%. Nesse nível mais alto, os estudantes conseguem compreender textos longos, lidar com conceitos abstratos e distinguir fatos de opiniões a partir de informações implícitas.

Em ciências, 48% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o Nível 2, diante de 74% na média da OCDE. Apenas 1% atingiu os Níveis 5 ou 6, contra 7% na média dos países da organização. A média brasileira foi de 409 pontos, ante 482 da OCDE.

Desigualdade pesa no resultado

O levantamento também mostra a relação do desempenho escolar e a condição socioeconômica. No Brasil, estudantes dos 25% mais favorecidos economicamente, socialmente e culturalmente tiveram, em média, 96 pontos a mais em ciências do que os 25% mais desfavorecidos. A diferença entre esses grupos nos países da OCDE foi de 85 pontos.

O índice socioeconômico respondeu por 16% da variação do desempenho em ciências no Brasil, contra 12% em média da OCDE. Entre 2015 e 2025, a distância de desempenho entre os estudantes dos grupos socioeconômicos mais favorecidos e desfavorecidos aumentou no país.

São informações do portal o Dia

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