Bombeiros alertam para riscos de crianças desacompanhadas em veículos

Em ambientes fechados e expostos ao calor, a temperatura no interior do automóvel pode aumentar rapidamente, colocando a vida dos ocupantes em risco.

Na última terça-feira (3), uma criança de 4 anos, identificada como Maria Cecília Uchôa, morreu após ser deixada dentro de um carro estacionado em frente a uma creche, no município de Piripiri, região Norte do Piauí. A menina estava acompanhada da tia, que trabalha como diretora em uma unidade de ensino e teria deixado a criança no veículo ao sair para trabalhar. A menina chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Regional Chagas Rodrigues, mas não resistiu.

A tragédia acendeu um alerta sobre os perigos de deixar crianças desacompanhadas dentro de veículos, mesmo que por pouco tempo. Em ambientes fechados e expostos ao calor, a temperatura no interior do automóvel pode aumentar rapidamente, colocando a vida dos ocupantes em risco.

A capitã Analice Padilha, do Corpo de Bombeiros Militar do Piauí, orienta que a população fique atenta ao encontrar uma criança ou outra pessoa sozinha dentro de um carro. A primeira medida é tentar localizar o responsável pelo veículo e acionar os serviços de emergência.

“A primeira situação é alertar as outras pessoas para procurar o dono daquele veículo, o responsável, para que ele possa vir com a chave para abrir o carro. Ao mesmo tempo, as pessoas devem acionar o 193 (Corpo de Bombeiros) ou o 192 (SAMU). Nessa ligação, além da possibilidade de enviar as viaturas de Atendimento Pré-Hospitalar (APH) e de salvamento, se for o caso, eles já vão dando as primeiras instruções”, explica.

Analice destaca que alguns sinais podem indicar que a pessoa está sofrendo com o calor excessivo e precisa de atendimento imediato. Entre eles estão sudorese intensa, pele seca e avermelhada, respiração rápida e curta, além de alterações no nível de consciência.

“É preciso verificar os sinais que a pessoa apresenta. Ver também a questão da consciência, se ela está com alguma letargia, se está com confusão mental ou evoluindo para um caso mais grave, como apresentar convulsões, náuseas e até a inconsciência e a perda da vida”, alerta.

Se a pessoa estiver consciente e apresentar alguma dificuldade respiratória, a orientação é aguardar a chegada do responsável pelo veículo ou das equipes de emergência, verificando também se existem portas ou janelas destravadas que permitam o acesso ao interior do automóvel.

A capitão reforma que, se o veículo estiver completamente fechado e a vítima apresentar perda de consciência ou dificuldade intensa para respirar, a quebra do vidro pode ser necessária para permitir o resgate. A profissional também orienta que a quebra seja feita com cuidado para evitar que os estilhaços atinjam a vítima.

“Você está autorizado a quebrar o vidro para que ocorra a retirada dessa pessoa. Você deve quebrar o vidro no local completamente oposto ao que a vítima está. Se for um vidro das laterais, procurar o local inferior e num canto, que é onde vai gerar menos estilhaços que possam estar atingindo a vítima”, orienta.

Após a retirada, a pessoa deve ser levada para um local com sombra e ventilação. A capitã Analice recomenda iniciar o resfriamento gradual do corpo com panos úmidos em água em temperatura ambiente, sem utilizar água gelada. Os panos podem ser colocados na testa, no pescoço, nas axilas e nas virilhas. Também é indicado retirar o excesso de roupas e manter contato com as equipes de emergência.

“Caso o Corpo de Bombeiros chegue, ele pode fazer essas técnicas de adentrar o veículo e já oferecer o APH, que é o suporte básico de vida, ou, se for necessário, o SAMU através do suporte avançado de vida, caso essa pessoa precise desse atendimento”, concluiu.

Portal ODIA PI

 

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