Casos de racismo religioso triplicam no Piauí em 2026

Piauí registra 11 casos de racismo religioso em 2026, revelando a persistência da intolerância contra terreiros de matriz africana.

Até julho de 2026, foram registrados 11 casos de racismo religioso no Piauí, quase o triplo em comparação aos quatro casos contabilizados em 2025, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI).

Representantes de terreiros afirmam que, mesmo após mudanças como redução do som, alteração de horários das sessões e maior cuidado para não incomodar vizinhos, as reclamações ainda persistem.

A mãe de santo Núbia de Xangô relatou que, apesar da busca pela regularização do terreiro, a Justiça determinou multa diária de R$ 200, com exigência de revestimento acústico. Ela ainda critica o fato de que a exigência de isolamento acústico não é feita igualmente para igrejas protestantes.

“Paralelo aos nossos ajustes, seguimos respondendo processos em secretarias, no município e agora na Justiça, sem qualquer pedido de vistoria. Nem igreja tem revestimento acustico”, afirmou.

Durante uma manifestação religiosa no terreiro, um vizinho interrompeu o momento com xingamentos da janela, o que foi compreendido como intolerância religiosa. Os ofendidos acionaram a polícia por medo de violência.

Resistência

Núbia de Xangô afirma que já pensou em fechar o terreiro devido às práticas de violência, mas decidiu resistir.

“Como pode, em 2026, um terreiro ser incendiado ou ter que se esconder no mato? Chega de se esconder! Chega desse racismo!”, lamentou.

A Rede Clube tentou contato com o vizinho que teria feito a denúncia, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Contexto histórico

Esse tipo de violência não atinge apenas os praticantes, mas também tradições, símbolos e manifestações culturais. O filósofo Francisco Filho destacou que a violência contra terreiros de matriz africana tem raízes na colonialidade:

“O colonialismo tem início e fim, mas a colonialidade permanece, principalmente a partir da categoria de raça, criada para classificar, construir estereótipos e dividir povos. O racismo religioso é uma expressão dessa lógica”, afirmou.

Números de casos registrados

2026 (até julho): 11 casos

2025: 4 casos

2024: 12 casos

2023: 11 casos

2022: 4 casos

Ações da SSP-PI

O coordenador de Igualdade Racial da SSP-PI, João Pedro Monteiro, explicou que há um protocolo específico para ampliar a abordagem policial em casos de intolerância religiosa.

“Esse protocolo é a primeira parte da política pública. Ele se desdobra tanto na questão estatística, que está sendo montada para compreender os dados, quanto no procedimento operacional padrão”, disse.

Canais de denúncia

Casos de intolerância podem ser registrados pelos seguintes canais:

Disque 100 (Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos)

WhatsApp (61) 99611-0100 do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

Ligue 190 da Polícia Militar

Delegacias

Ministério Público e Defensoria Pública

Ligue 162 Ouvidoria da Secretaria da Segurança Pública.

Com informações Portal Clube news

 

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