Tarifaço de Trump: mel do Piauí fica fora da lista de produtos sobretaxados em 25% pelos EUA

Exclusão de um dos principais produtos da pauta de exportações piauienses reduz impacto sobre a apicultura, que sustenta cerca de 12 mil famílias no estado e tem os EUA como principal mercado.

governo dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. Mas o mel orgânico ficou de fora da lista de itens atingidos pela medida. A decisão representa um alívio para o Piauí, maior exportador brasileiro de mel e um dos estados mais dependentes da atividade apícola.

A nova tarifa, anunciada após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), entra em vigor no próximo dia 22 de julho.

Baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, a medida afeta milhares de produtos brasileiros e pode atingir cerca de US$ 15 bilhões em exportações anuais, segundo levantamento preliminar da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre os produtos isentos da sobretaxa estão carne bovina, café, laranjas, petróleo bruto, peixes e crustáceos, castanhas, celulose e o mel orgânico, principal produto da pauta exportadora da apicultura piauiense.

 

A exclusão do mel da lista evita um impacto direto sobre uma das atividades mais importantes da agricultura familiar do estado. O Piauí produz 8,6 mil toneladas/ano e valor superior a R$ 100 milhões. Além disso, lidera as exportações brasileiras do produto. Em 2025, o estado embarcou aproximadamente 9 mil toneladas de mel para mercados como Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão, movimentando cerca de R$ 120 milhões, segundo dados da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF). A cadeia produtiva garante renda para aproximadamente 12 mil famílias piauienses.

Produtos tarifados

Embora o mel tenha sido preservado da nova tarifa, diversos outros produtos brasileiros serão sobretaxados em 25%, entre eles etanol, máquinas agrícolas, vestuário, maquinário elétrico, calçados, equipamentos de mineração, papel, açúcar orgânico, bens de capital, produtos químicos e manufaturados em geral.

Governo brasileiro reage

O governo brasileiro divulgou nota oficial repudiando a decisão dos Estados Unidos e afirmou que não reconhece a legitimidade da investigação conduzida pelo USTR, por entender que ela não possui respaldo nas regras multilaterais do comércio internacional. Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, não há justificativas para a adoção de medidas unilaterais contra o Brasil.

 

O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável

 

Nota

Governo brasileiro

O governo informou ainda que irá acionar imediatamente os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). A investigação americana alega que o Brasil adota práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos em áreas como comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos (Pix), propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e políticas ambientais relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal. O governo brasileiro contesta todas as alegações.

Produtores do Piauí discutem estratégias para o setor

Mesmo com a exclusão do mel da lista de produtos tarifados, representantes da cadeia produtiva irão discutir os próximos passos da atividade nesta sexta-feira (17), em São Raimundo Nonato.

Empresários, cooperativas, agricultores familiares e gestores públicos participarão de um encontro voltado ao fortalecimento da apicultura, tendo em vista que os Estados Unidos permanecem como principal parceiro comercial do mel produzido no estado.

Atualmente, São Raimundo Nonato ocupa a quarta posição entre os maiores municípios produtores de mel do Brasil, com 922,4 toneladas colhidas em 2024, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE.

A programação inclui a apresentação do plano de negócios da Cooperativa Mel do Sertão pelo presidente da entidade, Henrique Neri Júnior, e pelo consultor Fábio Santiago. Também estão previstas palestras da secretária estadual de Agricultura Familiar, Rejane Tavares, além de parlamentares e representantes do setor produtivo.

Com informações portal ODIA-PI

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